Coluna e esporte · Beach tennis
A febre de São Paulo
Beach tennis: onde dói e por quê
O beach tennis virou febre em São Paulo, e com ele chegaram as dores de quem joga várias vezes por semana. O smash e o saque pedem o braço lá em cima e as costas arqueadas; a areia cobra joelhos e tornozelos.
Onde costuma doer
Toque numa região para acendê-la no desenho.
Por que dói
O smash, em três tempos
O que o gesto pede da coluna e das articulações em cada fase, em linguagem simples.
Armar
O braço sobe e vai para trás, a raquete cai atrás da cabeça e as costas arqueiam. O ombro gira até perto do limite e a lombar se estende. Se o meio das costas é rígido, comum em quem passa o dia sentado, a lombar compensa e arqueia ainda mais.
Bater
O tronco gira e se fecha para a frente com força, e o braço chicoteia. A energia deveria vir das pernas e do quadril; quando vem só do braço, o ombro e o cotovelo pagam a conta.
Aterrissar
Depois do smash, muitas vezes com salto, você aterrissa na areia, que afunda e cede. Joelhos e tornozelos estabilizam o corpo enquanto o tronco ainda gira para voltar à posição.
dos 698 jogadores de um levantamento brasileiro relataram lesão no cotovelo; 14,0% no ombro e 6,9% na lombar.
(Rodrigues e colegas, Acta Ortopédica Brasileira, 2024)dos 160 jogadores ouvidos em duas cidades brasileiras já tinham tido alguma lesão ortopédica no beach tennis; 11,3% na coluna.
(Costa e colegas, Revista Brasileira de Ortopedia, 2024)foi a região mais lesionada entre 206 jogadores amadores e de elite; nos braços, a maioria eram tendinopatias por repetição.
(Berardi e colegas, The Physician and Sportsmedicine, 2020)Para prevenir
O que mais protege quem pratica beach tennis
- Aquecimento
Aqueça o gesto, não só o corpo
Antes do primeiro smash, faça os movimentos do jogo devagar e aumente aos poucos. O alongamento parado, sozinho, não mostrou efeito no levantamento brasileiro (Rodrigues e colegas, Acta Ortopédica Brasileira, 2024); por isso o aquecimento abaixo é ativo.
- Volume
Cuide das horas de quadra
As lesões foram mais comuns em quem jogava mais de 10 horas por semana (Costa e colegas, Revista Brasileira de Ortopedia, 2024) e em sessões de mais de 3 horas (Rodrigues e colegas, Acta Ortopédica Brasileira, 2024). Intercale dias de jogo com dias de descanso.
- Técnica
Bata com o corpo, não só com o braço
No smash, a bola deve estar à frente e acima da cabeça, não atrás; o giro começa nos pés e no quadril. Uma aula de técnica costuma poupar mais o ombro e a lombar do que qualquer acessório.
- Mobilidade
Solte o meio das costas
Uma coluna torácica que gira e estende bem faz a lombar trabalhar menos. Quem passa o dia sentado costuma perder justamente esse movimento: vale mobilizá-lo todos os dias.
- Retorno
Volte devagar depois de uma lesão
Quem já tinha se lesionado relatou nova lesão com muito mais frequência: 74,9%, contra 34,9% de quem nunca tinha tido (Rodrigues e colegas, Acta Ortopédica Brasileira, 2024). Volte com jogos curtos e smashes leves no começo.
Antes de começar
Aquecimento de 5 minutos
Cinco movimentos, um minuto cada. Aperte começar e siga o relógio; toque num passo para ir direto a ele.
Pronto para começar?
Devagar e sem forçar. Se algum movimento doer, pule-o.
Sinais de alerta
Quando parar e procurar ajuda
Pare por hoje e marque uma avaliação se tiver
- dor no ombro que piora ao levantar o braço ou que acorda você à noite
- dor no cotovelo ao segurar a raquete, uma garrafa ou ao apertar a mão de alguém
- dor lombar que piora a cada smash ou saque
- torção de joelho ou tornozelo com inchaço
- dor que muda o seu jeito de jogar, ou que volta sempre no dia seguinte
Procure um médico antes se tiver
- dor que desce para a perna ou para o braço, com formigamento, dormência ou perda de força
- dormência na virilha ou na região genital, ou dificuldade para urinar ou evacuar
- joelho que trava, falha ou incha logo depois de uma torção
- dor depois de uma queda ou pancada, dor com febre, ou dor que não alivia em nenhuma posição à noite
192Dor no peito, falta de ar fora do normal, tontura ou desmaio durante o jogo: pare e ligue 192.
Perguntas frequentes
O que se pergunta sobre beach tennis e coluna
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Beach tennis dá hérnia de disco?
O beach tennis, sozinho, não «dá» hérnia. A hérnia de disco tem várias causas, entre elas a idade e a genética, e aparece em exames de muita gente sem dor nenhuma: uma revisão com 3.110 pessoas sem sintomas encontrou protrusão de disco em 29% das pessoas de 20 anos e em 43% das de 80 (Brinjikji e colegas, American Journal of Neuroradiology, 2015). O que o jogo pode fazer é sobrecarregar uma lombar já irritada, sobretudo com muitos smashes e saques seguidos sem preparo.
Posso jogar beach tennis com hérnia de disco?
Muitas pessoas com hérnia jogam, com adaptação. Depende de como está a dor, de haver ou não sinais de nervo comprimido e de como é o seu gesto. A avaliação define se é hora de pausar, de adaptar (menos smash, jogos mais curtos) ou de voltar aos poucos, sempre junto com o acompanhamento médico.
Por que minhas costas doem depois do beach tennis?
As causas mais comuns são o arco das costas no smash e no saque, a posição baixa e inclinada para a frente durante as trocas e o volume de jogo, quando ele sobe de repente. Dor muscular que melhora em um ou dois dias é comum; dor que volta sempre, ou que desce para a perna, merece avaliação.
A dor no cotovelo do beach tennis é tendinite?
Muitas vezes é epicondilite lateral, o chamado «cotovelo de tenista»: dor na parte de fora do cotovelo ao segurar ou torcer objetos. Num levantamento com 698 jogadores brasileiros, o cotovelo foi a região mais citada (Rodrigues e colegas, Acta Ortopédica Brasileira, 2024). Parte da dor no braço também pode vir do pescoço, por isso a avaliação examina os dois.
Quantas vezes por semana posso jogar beach tennis?
Não há um número que sirva para todos. Os estudos brasileiros mostram mais lesões em quem joga mais de 10 horas por semana (Costa e colegas, Revista Brasileira de Ortopedia, 2024) e em sessões acima de 3 horas (Rodrigues e colegas, Acta Ortopédica Brasileira, 2024). Se você está aumentando, aumente aos poucos e deixe pelo menos um dia de descanso entre jogos intensos.
Preciso parar de jogar se estou com dor?
Nem sempre. Dor leve, que não muda o seu gesto e melhora no dia seguinte, costuma permitir jogar com menos volume. Dor que piora durante o jogo, que muda o movimento ou que vem com formigamento é sinal para parar e procurar avaliação.
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Fontes citadas
- Rodrigues FL, Barone PS, Penha RS, Franco IP. Injury epidemiology in beach tennis: incidence and risk factors. Acta Ortopédica Brasileira, 2024;32(1):e268301. doi.org/10.1590/1413-785220243201e268301
- Berardi M e colegas. Beach tennis injuries: a cross-sectional survey of 206 elite and recreational players. The Physician and Sportsmedicine, 2020;48(2):173–178. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31356120/
- Costa ACD, Dornelas LB, Makishi MR. Orthopedic Injuries in Beach Tennis Players in Brazil. Revista Brasileira de Ortopedia, 2024;59(3):e415–e419. doi.org/10.1055/s-0044-1786521
- Brinjikji W e colegas. Systematic literature review of imaging features of spinal degeneration in asymptomatic populations. American Journal of Neuroradiology, 2015;36(4):811–816. www.ajnr.org/content/36/4/811
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