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Coluna e esporte · Corrida

Corrida: onde dói e por quê

Correr não é inimigo da coluna. O que costuma doer é o que vem junto: distância que sobe rápido demais, passada longa, quadril travado de tanto ficar sentado.

A passada, no instante do impulsovista de lado
onde costuma doera coluna, por dentro

Onde costuma doer

Toque numa região para acendê-la no desenho.

Por que dói

A passada, em três tempos

O que o gesto pede da coluna e das articulações em cada fase, em linguagem simples.

  1. Aterrissar

    O pé toca o chão e o corpo absorve o impacto: tornozelo, joelho e quadril dobram como molas. Se o pé aterrissa muito à frente do corpo, a freada é maior e a carga sobe nos joelhos e no quadril.

  2. Apoiar

    O corpo passa por cima do pé. Os glúteos seguram a pelve nivelada; quando cansam, a pelve cai para o lado e a lombar balança junto.

  3. Impulsionar

    A perna de trás empurra o chão e o quadril estende para trás. Se a frente do quadril está rígida, a lombar arqueia para dar o movimento que falta, e os braços giram o tronco para equilibrar.

0,7–20,2%

foi a prevalência de dor lombar entre corredores nos 19 estudos de uma revisão sistemática; os autores a consideram baixa, comparada a outras lesões de corrida e a outros atletas.

(Maselli e colegas, BMC Musculoskeletal Disorders, 2020)
Discos

mais hidratados e maiores: foi o que se viu na lombar de corredores habituais, comparados a sedentários. O estudo mostra associação, não prova causa.

(Belavý e colegas, Scientific Reports, 2017)
874

corredores iniciantes acompanhados por um ano. Quem aumentou a distância semanal mais de 30% em duas semanas pareceu mais exposto a lesões por sobrecarga, num resultado no limite da significância.

(Nielsen e colegas, Journal of Orthopaedic & Sports Physical Therapy, 2014)

Para prevenir

O que mais protege quem pratica corrida

Antes de começar

Aquecimento de 5 minutos

Cinco movimentos, um minuto cada. Aperte começar e siga o relógio; toque num passo para ir direto a ele.

1:00neste passo

Pronto para começar?

Devagar e sem forçar. Se algum movimento doer, pule-o.

Sinais de alerta

Quando parar e procurar ajuda

Pare por hoje e marque uma avaliação se tiver

  • dor que faz você mancar ou mudar a passada
  • dor lombar que aumenta a cada quilômetro
  • dor na frente ou na parte de fora do joelho que piora em descidas e escadas
  • dor na canela ou no pé que continua depois do treino

Procure um médico antes se tiver

  • dor num ponto do osso (canela, pé, quadril) que piora com o impacto: pode ser fratura por estresse
  • dor que desce para a perna ou para o braço, com formigamento, dormência ou perda de força
  • dormência na virilha ou na região genital, ou dificuldade para urinar ou evacuar
  • dor depois de uma queda ou pancada, dor com febre, ou dor que não alivia em nenhuma posição à noite

Dor no peito, falta de ar fora do normal, palpitação, tontura ou desmaio durante a corrida: pare e ligue 192.

Perguntas frequentes

O que se pergunta sobre corrida e coluna

Não achou a sua? Mande pelo WhatsApp.

Correr faz mal à coluna?

Para a maioria das pessoas, não. Uma revisão de 19 estudos encontrou dor lombar pouco frequente entre corredores, de 0,7% a 20,2%, e os autores sugerem que correr pode até proteger (Maselli e colegas, BMC Musculoskeletal Disorders, 2020). Outro estudo encontrou discos lombares mais hidratados em corredores habituais (Belavý e colegas, Scientific Reports, 2017). O que costuma causar dor é o aumento rápido de volume, a falta de força e o quadril rígido.

Posso correr com hérnia de disco?

Muitas pessoas com hérnia correm. Depende da fase: com dor forte ou sinais de nervo comprimido (dor que desce pela perna, formigamento, fraqueza), a corrida espera. Fora da crise, a volta costuma começar por caminhada e trote curto, com acompanhamento. A avaliação diz em que ponto você está.

Por que dói a lombar quando eu corro?

As causas mais comuns são o quadril que não estende para trás (e a lombar compensa), o cansaço do abdômen e dos glúteos nos treinos longos, a passada muito longa e o aumento rápido de distância ou de ritmo.

Esteira ou rua: qual é melhor para a coluna?

Os dois servem. A esteira tem piso regular e ajuda a controlar o ritmo; a rua tem subidas, descidas e curvas que variam a carga. Variar costuma ser bom. Na esteira, evite correr segurando nas barras, que muda a postura do tronco.

Tênis com mais amortecimento protege a coluna?

Não há boa evidência de que um tipo de tênis previna dor nas costas. Uma revisão propõe escolher pelo conforto (Nigg e colegas, British Journal of Sports Medicine, 2015). Mais importante do que o tênis é a forma como o volume sobe.

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Fontes citadas

  1. Nielsen RO e colegas. Excessive progression in weekly running distance and risk of running-related injuries. Journal of Orthopaedic & Sports Physical Therapy, 2014;44(10):739–747. doi.org/10.2519/jospt.2014.5164
  2. Maselli F e colegas. Prevalence and incidence of low back pain among runners: a systematic review. BMC Musculoskeletal Disorders, 2020. pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC7271446/
  3. Belavý DL e colegas. Running exercise strengthens the intervertebral disc. Scientific Reports, 2017;7:45975. doi.org/10.1038/srep45975
  4. Heiderscheit BC e colegas. Effects of step rate manipulation on joint mechanics during running. Medicine & Science in Sports & Exercise, 2011;43(2):296–302. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/20581720/
  5. Organização Mundial da Saúde. WHO guidelines on physical activity and sedentary behaviour, 2020. www.who.int/publications/i/item/9789240015128
  6. Nigg BM, Baltich J, Hoerzer S, Enders H. Running shoes and running injuries: mythbusting and a proposal for two new paradigms. British Journal of Sports Medicine, 2015;49(20):1290–1294. bjsm.bmj.com/content/49/20/1290

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